Texto, a cura.

14-03-2019

Atenção à data 1 de Março de 2018, o dia em que escrevi o primeiro texto. Um conjunto de textos que nunca pensei em partilhar. Encontram-se aqui imensos aspetos pessoais, os quais gostaria de partilhar. Encontram-se também coisas com as quais já me identifico e outras que já superei. Um artigo para ler com cuidado, um artigo escrito por uma pessoa sem nada a perder. Por causa do amor.

01/03/2018

Vou escrever aqui tudo. Sentimentos, passagens, emoções, enfim... Para um dia relembrar do mal que passou por mim, para um dia poder orgulhar-me de ter superado algo cujo motivo é tão desprezável e insignificante, ao lado da vida maravilhosa que tenho. Para mim, fugiste para sempre.

Dia 1 do resto da minha vida.

    Já é de noite, e vou possivelmente fazer isto sempre que chegar a casa. Sempre que parar de pensar na dor e no pensamento que tenho constantemente, sempre que receber aquele carinho especial da minha família e dos meus amigos. Talvez seja mais fácil escrever para ti, apesar de isto não ser para ti nem para ninguém. Gosto de pensar em ti como alguém que passou na minha vida e morreu. Bem, pelo menos para mim. Sempre que me perguntarem por ti, a partir de agora, direi que não te conheço de lado nenhum.

    Como ponto de partida, acho que me vai fazer bem, apesar de custar e doer, falar da ferida que tem demorado a cicatrizar. Tu e tudo o que passamos já foram o motivo para a minha vida ter sentido. Na verdade, pergunto-me várias vezes o que seria eu, hoje, se não tivesse vivido o que vivi contigo. Talvez nunca te tenha dito, pelo menos por escrito, que parecias estar rodeada por uma aura que me fazia querer ser melhor do que aquilo que já era. Queria mais, apenas para um dia podermos ser ainda mais felizes. Acho que sempre tentei fazer o melhor para ti e por ti. Falhei como o caralho, é verdade. Então e tu?

    Quantas vezes te pedi desculpa? Bastantes o suficiente para te fartares, não? Bem, então e tu a mim? Achas que sempre foste correta nas tuas ações? Será que sou a única pessoa que realmente cometeu algum erro e tu sempre foste dona da razão? Porque quando te foste embora, foste de consciência tranquila. Na verdade, quando te foste embora já estavas mais que preparada, correto? Já há muito tempo atrás que não sentias o que eu sinto por ti. Desconfio se alguma vez me amaste como eu te amei. Já tiveste momentos de choro, tal como eu, mas cada vez mais desconfio que eram reflexos da tua própria insegurança. Achei que fosses verdadeira merecedora do meu amor. Fazias-me feliz. Esse teu jeito de ser, esse sorriso que na altura era ingénuo, a pessoa que ACHAVA que eras de verdade (ou que outrora mudaste) derretia o meu coração. Sempre tive um coração grande mas uma segurança pequena. Talvez o meu maior mal foi ser inseguro.

    Confesso-te agora todas as noites em branco, com medo de estar a fazer algo de errado. Será que alguma vez me viste triste e me deste um abraço sem dizer nada, ou um beijo apenas porque me amavas? E não apenas porque sim? Será que alguma vez quiseste tomar iniciativa em estar comigo? Será que alguma vez, em todo aquele tempo, tu quiseste fazer algo maior comigo? Um festival, uma viagem, uma loucura... quantas vezes te perguntei? Nunca foste doida o suficiente, nunca foste confiante de ti mesma, nunca foste segura de ti própria e vejo-te assim apesar de há uns dias atrás me teres dito que estavas super feliz e super confiante. Não me acredito. Tens de admitir que nunca fizeste grande coisa por mim, se fizeste não me lembro e devia-me lembrar. Talvez esteja perturbado por uma nuvem de pensamentos negativos, mas só talvez. Nunca foi real, pois não? Apenas era algo novo para ti, ter um namorado a sério...

    Neste último ano as coisas eram simplesmente monótonas. Não fizemos nada pelo nosso namoro, mas ao menos eu fiz por mim. Fizeste algo por ti? Alguma vez te motivaste a ser uma pessoa melhor por mim? Só nos íamos baseando em coisas superficiais, sexo e filmes. Era o que ia aguentando o nosso namoro. Podia até não ser completamente desta maneira, mas como disse há pouco, estou magoado e queimado por dentro. Eu acreditava ainda que eras tu, sabes o que fiz por ti em 2017 e ao mesmo tempo por mim? Provavelmente vai meter piada mas é a verdade. Tirei a carta a pensar que nas próximas férias com carta podíamos fazer uma viagem de sonho. Pensei que podia ir ao ginásio para me sentir melhor comigo e, consequentemente, contigo. FIZ DE TUDO para passar naquele exame de matemática e no outro de português, para ir para a universidade. Para não ficar atrás de ti visto que já sabia que ias entrar numa. Consecutivamente, acabei por descobrir uma área que hoje em dia adoro imenso que é a informática. Tudo isto acabou por me beneficiar. O que fizeste por ti e por mim? Apenas deixaste-te levar, não foi?

    "Sometimes we just have to let things go." Mas para ti não era "sometimes" era "always". Em que curso entraste? Querias seguir o quê? Tu nem sabes na verdade. Tinhas todo o tempo do mundo mas nunca quiseste saber, ias-te levando tanto pela vida que tanto te levavas a ti como a mim, por isso, tu erraste sim, foda-se. Erraste por nunca teres agarrado a nossa relação e por teres deixado algo que sabias que podia dar fruto. Houve momentos em que erramos os dois, mas era normal e sempre será em todas as relações. Mal tiveste oportunidade, entraste naquela maldita universidade e ganhaste as tuas asinhas. Sentes-te preparada para voar sozinha, não é? Afinal, para quê continuar a empatar as coisas que tinhas comigo quando sabias que ias conhecer pessoas novas e jamais precisarias de mim? Pois é. É fodido quando afinal não podes estar tão de consciência tranquila quanto isso. Eu também errei, errei muito sim. O meu maior erro foi sem dúvida venerar-te. Perdi muito da minha pessoa e deixei de ser interessante, vivia para ti. Tu nem para terminar as coisas comigo foste autónoma! Tive de ser eu a sugerir. Sabes porque é que eu sugeri? Porque na altura, estava tão confuso, já sabia que algo estava errado. Eu próprio não me conseguia sentir bem contigo, mas nunca te deixei de amar. Nunca. Foda-se. Podes dizer o mesmo?

    Quando estiveste "mal", vieste falar comigo (naqueles primeiros tempos académicos)? Na verdade nunca vieste, nunca. Nunca sabia nada de ti. Mas na mesma assim amei-te, tomei conta de ti e prometi-te que iria ficar tudo bem. Verdade seja dita, a distância nunca ajudou. Sabes porque é que hoje é o dia 1? Porque hoje começaste a namorar. Com outro. Já estou assim há cerca de 70 dias, mas só agora é que decidi escrever, como tentativa desesperada de aliviar a raiva que sinto. Sempre jurei que já estaria bem quando isto acontecesse, mas sou teimoso. O meu coração nunca desistiu de ti este tempo todo, passaram-se três meses. Três meses em que não penso em mais nada senão tudo isto que estou para aqui a teclar. Três. E tu nestes três meses, estavas mais interessada em cagar-te para mim do que realmente a querer entender. Na verdade já não me amavas e foi muito fácil para ti dar a volta. Para ti foi canja arranjar outro rapaz que tomasse conta da tua vida, afinal, és bonita e sabes disso. Pena é seres como és por dentro. Já que tu não és capaz de tomar conta de ti por ti própria, tão rapidamente um interesse virou um namoro. Fácil, és uma boneca de plástico e enganei-me a mim próprio este tempo todo.

    Hoje é o dia 1, porque é o pior dia da minha vida. Nunca pensei que fosse possível algum dia ver-te com outro. Nunca pensei que fosse possível algum dia tu conseguires quebrar as nossas promessas, os nossos sonhos. Num dia, tornaste tudo o que amava em tudo o que odeio hoje. Odeio-te, mas relembro-te com respeito porque, como disse, sem as tuas vivências eu não era eu. Odeio-te, mas não te quero julgar, afinal, quem és tu? Apenas lembra-te da próxima vez que justificares algo que aconteceu como "Ah, foi uma coisa da vida.", "Apenas seguimos caminhos diferentes.", vais mentir-te. Tu foste fraca, muito fraca. Eu não fui o melhor, mas se não fui foi porque não me pediste nem permitiste.

    Nunca te conseguirei esquecer pelo que vivemos, mas também nunca te perdoarei pelo que fizeste. Atenção, não te quero pôr todas as culpas em cima, ambos erramos, ao menos sei ser real, honesto. Nunca mentiste, mas sempre ocultaste. Sempre foste muito genérica e nunca quiseste saber o suficiente. Se agora comportas-te como quem não quer algo sério com ninguém, porque é que não me disseste que não querias quando andávamos? Deixaste-me iludido. Não vou ter a oportunidade de te ouvir a dizer "continuo a achar que tudo isto é uma estupidez" ou "já estou a ficar farta" e ainda bem. Aviso já que nunca mais te quero ver.

    Agora, sou uma pessoa melhor, devo estar feliz. Espero que um dia eu volte a ler isto para me rir. Vou mostrar-me a mim mesmo que há muito para além da vida que tenho tido: pensar numa pessoa que já nada quer de mim, nem uma simples conexão. Se te ataquei e pareci um puto, é porque estive e estou destruído, completamente dado à dor da tua negligência ao nosso amor. Gostava de te ver no meu lado. Ainda foste capaz de me chamar de chato e indiretamente imaturo, de me dizer que isto passa, que isto é normal. Um dia vais-te arrepender da merda que fizeste, quando vires a pessoa que me vou tornar. Devia ter sido mais inteligente, mas segui só o coração. Pensei que fosses uma mulher, estava iludido porque queria que fosses, mas nunca foste. Não me merecias. Espero que nesse teu mundo mudes certas coisas em ti, senão a puta da vida vai-te foder da cabeça aos pés. Sabes qual é a dor que mais sinto? É saber que estás feliz com outro agora, e eu estou na merda.

    Não importa, aliás, quem és tu? Neste momento, sinto dor vinda do nada, do vazio, tu não existes há muito tempo atrás. Tu e as tuas lembranças que foram a única coisa que me deste e ficaram, estão no lixo agora. Já sei que vou sair do computador e vou voltar a ficar destroçado. Vou voltar a ter pena de mim próprio. Um dia irei ganhar luz. Tenho todo o mundo. Sabes o que eu era se os meus amigos não me estivessem a ajudar? Era como tu, um morto. Tava morto. Por isso, um dia sei que vou ficar bem, um dia, com as pessoas que amo, irei mostrar-me a mim mesmo que mereço muito mais do que o que tu me quiseste dar: nada. Sexo, carinho e palavreado são momentâneos, atitudes são eternas.

    Se algum dia, nesse teu mundo que não é o meu, te sentires assim, quero ver quem te vai querer ajudar. Amanhã vou dar um rumo novo à minha vida, vou com o tempo tentar mudar de visual, fazer uma tatuagem como promessa de não voltar a cair no mesmo erro. Agarrar a merda da vida com unhas e dentes.

    Tu, quem és? Espero que hoje sejas mais madura. Espero, para teu bem. E quando achares que sou estupido e fraco, mais uma vez lembra-te que trocaste uma pessoa que sempre disseste ser "o amor da vida. Trocaste essa pessoa. Apesar de termos tido muitos problemas e tal, o amor continuaria se fosse real. Ainda bem que acabou.

    Contudo, estou doente há três meses.

Dia 2 do resto da minha vida.

1:00H

    Como previa, fui ver o meu amigo Artur. Um grande amigo, sem dúvida. Muitas ideias vieram-me à cabeça, daí querer escrever algo agora. Estar com o pessoal lá de cima é sempre um aconchego fenomenal às minhas ideias.

    Tu és fácil... Sim, fácil. Uma das coisas que mais me tem vindo à cabeça é que nunca devia ter dado tanto valor a algo que foi fácil de obter. Acreditava que tínhamos algo especial um com o outro. Na verdade dos factos não, apenas estava à procura de alguém. Eu era um puto inocente e tu foste a pessoa que respondeu à mensagem primeiro. Apenas íamos conversando, acho que nunca tive de te provar nada. Nunca com atitudes, afinal, eramos amigos online. Talvez por tudo ter começado assim nunca em todo o relacionamento quiseste sair da casca para falar um bocado de ti e dos teus problemas. Talvez isso fosse a única coisa que queria de ti, é uma das coisas que distingue uma rapariga de uma mulher, para além da maturidade para tal que nunca tiveste. Da forma como ultimamente tenho falado, parece que estou a escrever tudo isto com o objetivo de te querer julgar e atacar. Não, apenas estou a dizer realidades que nunca me passou dizer-tas na cara. Talvez devesse tê-lo feito. Também não fui grande rapaz em não ter insistido em certas coisas contigo, afinal, sempre fomos um bocado "cada um na sua". Também sei admitir que errei, e acho que o tenho feito.

    Não aches estranho estar a escrever isto, para ti. Na verdade parece que estou a fazer isto com o objetivo de te dar um dia, mas para mim és ninguém. Um vazio por preencher. Também porque saberia que nunca lerias. Sei que nunca na vida lerias até aqui, tu não te importas, não queres saber nem nunca quererás. Bom, não importa mais tu, chega de tu. E ainda bem. Hoje é um bom dia, tem de ser. Não sei se amanhã ao acordar ficarei preso nos cobertores como fico sempre, com a cabeça à roda. É um bom dia porque vou finalmente tentar avançar a sério com a minha vida, a minha vida a sós sem querer nada nem ninguém. Apenas quem merece. Vou tentar colocar desafios a mim mesmo, por escrito. Talvez por escrito já sinta que é uma obrigação, e não apenas um alarme da minha cabeça que rapidamente se desativa com más energias. Hoje tenho de ir às aulas, ir à psicóloga, ir ao ginásio e nunca cair na tentação de ver alguma das tuas redes sociais. Esta última é a longo prazo. Espero logo á noite poder contar com bons resultados.

14:00

    Vim há bocado da consulta psiquiátrica. Acho que escrever isto está a tornar-se num refúgio mental para mim. Algo que me faz bem. Saí de lá com uma visão diferente sobre tudo o que se está a passar na minha vida. Sabes, numa coisa tinhas razão, isto não acontece só a nós, acontece a toda a gente que tenta ter algo a sério cedo demais. Nós tentamos. O que importa é que de agora em diante eu irei fazer algo para preencher o vazio que deixaste na minha vida e este vazio não será para sempre, não será eterno. Apercebi-me de muitas coisas que tenho feito mal. Nunca devia ter continuado a falar contigo depois do apocalipse. Eu só vivia para ti. Quando começámos a relação, eu fiz de ti o único pilar estável da minha vida. Nunca mais posso voltar a ser assim com ninguém. Eu tenho vários papéis na vida, sou filho, sou amigo, sou estudante. Tenho pena de ter errado ao tornar o papel de namorado como o papel principal, mas se calhar é porque te amava. O amor é um sentimento muito forte. Pode matar de desgosto.

    Tinhas medo de que fosse embora mas foste a primeira a bazar. A minha felicidade será a minha prioridade a partir de agora. E não vão ser memórias de uma pessoa que me vão deixar mais em baixo. Vou fazer algo que realmente me motiva. Vou fazer uma lista de coisas que gosto, uma lista de qualidades e defeitos, tudo isto para preencher o vazio com coisas que valem a pena, coisas minhas.

    Aquelas cartinhas que me deste com promessas, eram de curto ou longo prazo? Agora já é tarde. Espero que mudes mesmo isso, já te tenho dito isso. Mas quem sou eu para te dar conselhos, se já nem sei quem és. Arrependo-me tanto de ter-me rebaixado a nível de cão por ti. Tu não vales nada, vales tanto como qualquer outra rapariga que não conheço, não és diferente. Pensei que  fosses especial, pensei que serias para mim. Ainda bem que não és. És fácil.

0:00H

    Fim do dia. Mais um dia superado, sem cometer qualquer estupidez. Faltei às aulas, mas já não foi por causa da dor, foi porque preferi ir ao ginásio mais cedo. Estava entusiasmado e a medicação que entretanto recebi pareceu motivar-me ainda mais para experimentar fazer exercício. Foi a melhor coisa que fiz hoje: finalmente ter força para sair do ciclo destrutivo, finalmente querer fazer algo para além de pensar sempre na mesma merda. Engraçado, não pensei que a medicação alguma vez fosse resultar, mas resulta.

    Hoje, pela primeira vez, fiz algo apenas por mim. Hoje, pela primeira vez do resto da minha vida, olhei para mim e gostei. Gostei porque sei que me trocaste e ficaste a perder. Gostei, porque afinal sou bonito, afinal sou inteligente, afinal tenho potencial. Afinal há algo de bom em mim. Isso é o primeiro grande passo para conseguir sair da espiral que acabaria por me matar. Estive novamente com amigos, adoro estar com eles. Foi a primeira vez que não pensei em ti a maior parte do dia. Foi a primeira vez que vi uma frincha de luz no fundo do túnel. Sinto que encontrei uma saída. É demasiado cedo para dizer isto mas estou a seguir o caminho certo, sem dúvida. Não tenho escolha, não saí disto bem, como tu.

    Dentro de mim também me sinto diferente. Sinto que sou o que sempre devia ter sido: sem ti. Sozinho e livre de fazer o que me apetece, principalmente nesta altura da vida em que não vale de nada procurares pelo amor da tua vida, há demasiadas oportunidades individuais. O importante serei sempre eu, lamento por achar que eramos nós. Afinal, só tens vindo a demonstrar que não vales nada. Sabes, compreendo que te quisesses afastar de mim, mas mesmo para isso não foste capaz de agir. Foda-se. Se querias tanto afastar-te de mim davas logo block em tudo o que era rede social, eu faria isso. Parece que tiveste prazer em rejeitar-me e de me dar falsa esperança, foda-se. Nunca devia ter corrido atrás da tua pessoa. Só me apercebi de que tu já não és a mesma rapariga pela qual me apaixonei. Aí reparei que tu já não mereces nada de mim, nada.

    Estes pensamentos magoam-me, facto. Quanto mais longe estiveres melhor. Expresso-me como se estivesse frustrado, mas não é com essa intenção. O que eu quero mais neste momento é que tu te fodas. Parece que a confiança em mim cresceu num ápice. Estou num momento de euforia. Amanhã posso não acordar com toda esta energia positiva mas terei sempre as pessoas que amo aqui ao pé de mim. Agora dou um abraço todos os dias por quem olha por mim e nunca pararei de o fazer enquanto tiver memória. Tristeza. Amanhã vai ser um dia novo, vou treinar cedo, vou tirar fotografias durante a tarde, preciso de me renovar para me sentir bem.

Dia 3 do resto da minha vida.

13:45

    Cansado. Deu para perceber que dormir pouco não me vai ajudar em nada. Acordei a pensar em ti com outra pessoa. Como se fosse um pesadelo. Más energias voltaram a cobrir-me e não conseguia fazer nada, estava assustado. Tinha de acordar para ir ao ginásio. Já eram 10:30 mas ganhei força e consegui sair daquele enredo. Infelizmente esses maus pensamentos perseguiram-me até ao ginásio, o exercício faz bem e aliviou-me dessa pressão. Tomei a medicação mas sinto-me mal disposto por ter dormido pouco. Por causa disso, sinto-me mal com tudo em geral e penso mais em coisas que não devia.

    Contudo, tenho de me lembrar dos objetivos que tracei para hoje. Não sei se vou conseguir tirar as fotos, mas o resto vou tentar cumprir. Apesar do desânimo, sinto que sair da cama para completar um objetivo foi muito bom. Senti-me bem apesar de tudo mas tenho pensado demasiado em ti. Não mereces nem um bocado disso. Por vezes faz-me bem relembrar de quem tu eras e agora és, sinto-me bem por já não seres minha. Tenho notado toda essa boa disposição que tanto fazes questão e agora partilhar em todo o lado. Nunca eras assim, eras tu. Caladinha mas sempre com aquele ar matreiro de quem ia fazer um disparate qualquer ou uma brincadeira. Não tenho mais onde buscar memórias.

Dia 4 do resto da minha vida.

18:00H (Sobre ontem)

    Ontem não tive grande tempo para escrever. A psicóloga disse-me que escrever poderia fazer bem. Estimula o meu cérebro. Foi a primeira vez que saí à noite para algum ambiente festivo. É incrível como, mesmo num ambiente assim, tirar a cabeça de ti é impossível. O dia de ontem até correu bem. Mantive-me sempre ocupado, daí não pensar tanto em ti. Contudo, tive uma espécie de crise existencial quando me falaram de ti. Qualquer novidade de ti faz-me endoidecer. Qualquer coisa nova de ti faz os meus interiores praticar ginástica acrobática. Fico um monstro para mim mesmo.

    Por isso não aguentei. Mandei-te uma mensagem. Mandei-te essa mensagem quando ia escrever aqui mas a raiva era tanta que escrever para mim mesmo não chegou. Acabei por fazer um disparate e mandei-te uma bomba por SMS. Obviamente não ficaste muito feliz e respondeste do mesmo modo. Arrependo-me de o ter feito porque sei que apenas te dei mais motivos para achares que estás a fazer algo correto e acabei por denegrir a minha imagem. Mas não importa, fez-me bem de certa forma libertar algumas coisas.

00:00H (Sobre o dia atual)

    Não sei muito o que dizer. O dia foi fraco. Não saí de casa. Não sei porque é que teimo tanto nesta ideia... quero mesmo fazer puzzle! Foi uma sugestão da psicóloga. Uma de muitas que não cheguei a cumprir. Tenho de me focar mais, não posso ser tão calaceiro. Na verdade, sinto-me mesmo isso - desleixado. Se calhar é algo que também devia mudar. Afinal, é agora que mais devia dar luta.

    Hoje foi um dia mesmo para esquecer, não diz nada de jeito. Nem estudei, nem exercitei, nada! Não fiz nada e não quero voltar a sentir-me assim. A partir de hoje terei de lutar mais e concentrar-me no que realmente quero. Porque hoje pensei em ti a maior parte do tempo, não posso voltar a ser um derrotado.

Dia 5 do resto da minha vida.

13:00

    Os dias passam mas ainda é tudo tão recente! Sinto que quero dar um passo maior que a perna e tenho medo de voltar a falhar. Se pudesse pegar na situação em que me encontro e deitá-la ao lixo, já o teria feito há muito. Não sei se é da falta de higiene de sono ou se é mesmo de mim mas não sei porque teimo tanto em pensar sobre coisas que já fomos. Basta uma novidade tua, uma fotografia que apanhe sem querer nas redes sociais, qualquer coisa, para me lembrar de tudo ao mesmo tempo. É uma violência pensar que tudo o que fomos não passou de uma completa ilusão. Não cumprimos aquilo que prometemos um ao outro.

    Já não sinto que te quero de volta. Pelo menos já não me apetece lutar por isso. Queria se não tivesses agido da forma como tens agido. Nunca pensei, mesmo, que tu conseguisses fazer o que estás a fazer. Não sei porque é que me preocupo tanto com isso, mas não mereces estar tão bem assim. Não faz sentido eu ter saído assim tão mal nesta história. Não consigo parar de refletir sobre isso. Detesto cada manhã a pensar em merda, cada queda que tenho durante o dia e cada pesadelo que tenho há noite. Nunca irei compreender como é que foste capaz de simplesmente deixar de me amar sem preocupação e ainda conseguires seguir de consciência tranquila com a tua vida.

    O facto de seguires com a tua vida bem não me devia deixar tão irritado. Isso faz-me sentir mal. Sabes o que é pior? É que quando estou assim, sinto-me sozinho e perdido! Sinto que ainda não fiz progressos nenhuns. É o que a minha cabeça quer que eu ache? Sou o meu maior inimigo e começo a imaginar também coisas das quais não tenho a certeza. Começo a imaginar a forma como tu deves estar com o teu namorado. Começo a recriar momentos nossos, que se calhar não foram tão bons quanto a minha cabeça simula. Crio expetativas estupidas para o futuro, relacionadas contigo.

0:00H

    Fim do dia, estou melhor. Sim, melhor. Parece que não sinto aquele aperto constante no coração. Estou mais preocupado com outras coisas. Sei que provavelmente isto é algo temporário e que amanhã sentirei algo mau de novo. Mandei-te uma mensagem... acerca da forma como te tratei estes dias. Não o devia ter feito. No momento foi bom libertar toda aquela raiva mas deu a impressão de eu ser uma pessoa imatura ao tratar-te daquele modo. Então não me contive e tive de esclarecer algumas coisas.

    Não compreendo as tuas atitudes, e não compreendo mesmo. Não quero ser uma pessoa má e até agora deves ser a única pessoa que me vê da maneira que não sou. É frustrante. Conheceste o meu lado monstruoso e desesperado, isolado no medo. Eu tento mesmo ser uma boa pessoa com toda a gente. Tento sempre perdoar más ações porque maus atos também eu os fiz. Em relação a ti, apesar te estar a tentar perdoar, nunca perdoarei a cem por cento. E sempre acharei que foste muito incorreta.

    O que lá vai lá vai. Tenho de me preocupar mais comigo agora. Também tenho grandes falhas na minha personalidade e devia aproveitar este momento para tentar mudar certas coisas em mim também. Há uma entrevista que tinha para um possível trabalho, no sábado, que foi adiada para quarta-feira. Daqui a dois dias. Não é a melhor altura para estar a sentir-me mal comigo próprio. Está na hora de dar um salto definitivo. Está na hora de ser novamente autónomo e trabalhador. Está na hora de finalmente comprar a porcaria do puzzle e fazer as sugestões todas da psicóloga.

    Escrever ajuda-me e tenho notado que algumas coisas que escrevi dias antes podem ter sido exageradas. Algumas coisas até alterei. Acho que é sinal de que guardo menos raiva dentro de mim do que a que guardava há uns dias atrás, e isso é bom. Continuo a achar que continuas a ser uma estúpida por teres feito o que fizeste. Contudo, já não quero que te sintas mal por isso, ou algo do género. Na verdade parece que estou a ficar indiferente. Acho que a indiferença está a atacar-me. As feridas poderão estar a começar a sarar, é o que mais quero. Espero que seja exatamente isso. Não posso perder o meu foco: ser melhor, ser eu mesmo, amar-me. Apesar de tudo, ainda há muito trabalho a ser feito por mim abaixo. Tenho mais que nunca de manter a cabeça para cima e manter-me atento às circunstâncias. Tenho de ser forte.

Dia 7 do resto da minha vida.

22:30

    Não senti necessidade de escrever ontem, nem mais cedo. Na verdade, acho que a minha sanidade mental tem aumentando significativamente desde que entrei no ginásio e comecei a ocupar a mente com outras coisas. Pensar nisto ainda penso, bastante. Já não tenho tido aquelas crises de ansiedade que me faziam cometer erros. A medicação também ajudou, não sei. Tenho virado a minha vida do avesso, no bom sentido. Devia estudar mais e devia ter mais cuidado com o sono.

    Sinto que estou a dar a devida atenção a mim e aos meus problemas. Tenho resolvido algumas coisas das quais sou responsável, algo que me está a deixar mais confiante. Consegui também um estágio não remunerado numa empresa de programação. Acho que é a melhor coisa que me podia ter acontecido de momento - conseguir trabalhar na área em que estudo. Só tenho de arranjar forma de conciliar isso com os estudos e com o ginásio/kickbox.

    Amanhã vou a Viana, vou sair, vou divertir-me. Algo que já não fazia há imenso tempo. Tenho também falado com pessoas com as quais criei distância indevida. Tenho-me aproximado de pessoas novas também. Acho que a minha vida está aos poucos a voltar a seguir o rumo certo. Não sei muito mais o que dizer sobre ti e sobre o que sinto por ti. O objetivo disto era servir de desabafo quando me estivesse a sentir mal mas agora tenho andado bastante calmo.

    Apesar de tudo, tenho pensado muitas vezes em coisas estupidas como se ainda fizesses parte da minha vida. Ainda há um certo sentido de preocupação por ti, mas tu não queres saber. Agora só quero tentar ser a melhor pessoa com os outros, ao mesmo tempo que sou verdadeiro par mim mesmo.

Dia 12 do resto da minha vida.

00:30

    Já devia estar na cama. Ir a Viana foi espetacular. Já tinha saudades de me sentir tão bem. Devo ir mais vezes a partir de agora. Não tenho feito da escrita um passatempo tão viciante como em tempos. Ainda vou tendo uns pensamentos maus e nostálgicos. Lembro-me de ti, e outra vez do facto de namorares com outra pessoa. Abrir isto e reler tudo o que escrevi anteriormente faz-me bem. Tem andado tudo bem, agora os meus problemas são relacionados com coisas que consigo melhorar no presente. Já não são problemas estúpidos que andam á tua volta ou sequer relacionados contigo. Está a ficar tudo bem. Preciso de me motivar no ginásio, preciso de me focar nos estudos, no part-time (sim, consegui passar no estágio), na minha família e nos meus amigos. É isto a minha vida, ou pelo menos o que quero que seja. Tu já não estás incluída nela.

Dia 18 do resto da minha vida.

    Passaram-se ainda mais dias desde a última vez. Não é que eu queira evitar escrever, até porque sei que isto ajuda-me a ter momentos de reflexão. Esta semana foi de doidos, mesmo. Há coisas que me arrependo de ter feito durante a mesma e outras que gostava de repetir.

    Digamos que fui a muitos sítios, saí como um tolo nas noites todas, voltei a ir a Viana, vida de alguém que não tem nada a perder. A semana de trabalho correu bem e a minha relação com o pessoal da empresa está a ficar melhor. Tenho ido ao ginásio, sabe bem fazer exercício físico, agora tenho mesmo é de parar de fumar. Está na hora de ter isso em consideração. Em contrapartida não tenho estudado nem ido às aulas. É algo que devo mudar também. Tenho pensado em ti vagamente, não consigo entender. Já não posso dizer que dói da mesma forma, porque não é verdade. Mas ainda dói...

Dia 23 do resto da minha vida.

    Tenho tido uma semana bastante calma e estável, algo que já não conseguia ter há algum tempo, mas ontem voltou a acontecer. Começo a achar que é algo inevitável. Os ataques de ansiedade realmente deixam-me um bocado preocupado. Já se passou todo este tempo e ainda sinto algo por ti, mesmo tu não o merecendo. Já não é da mesma forma e começo a achar que os meus textos são cada vez mais redundantes. Verdade seja dita: há algo que ainda está por resolver. O que é? Não sei... e talvez nunca saberei. Cada vez me mentalizo mais que os nossos tempos chegaram ao fim e que há um futuro muito melhor mesmo ao virar da esquina. Tenho de me esforçar profissionalmente e também comigo mesmo para conseguir lá chegar. Já ouço músicas, já sou uma pessoa feliz e com um sorriso na cara. Jamais voltarei querer a ser aquela pessoa carregadíssima de energias negativas.

    Engraçado como também mudei tanto, mas tanto mesmo... Às vezes gostava que estivesses ainda aqui para veres o que podíamos ter conseguido se não tivéssemos desistido. Mas são águas passadas e creio que o melhor para mim seja mesmo não contactar-te nunca mais, já não existes mais no meu mundo, não podes existir.

Dia 33 do resto da minha vida.

    Já passou mais de um mês. Dá-me a sensação de ter passado poucos dias no calendário mas muitos na minha mente. Em tão pouco tempo atingi novas prioridades, fui forçado a isso. Estive atento às tuas novidades para ver se metias alguma coisa para celebrar o teu 1º mês com o teu namorado. Não encontrei nada, mas isso não quer dizer nada mesmo... provavelmente apenas não vi porque estás bloqueada em tudo e mais alguma coisa, e não consigo ver os teus instastories. Já não é do meu interesse (ou pelo menos não devia) com quem estás e como estás. Já não tenho necessidade de falar contigo, e estou bem assim.






Dia 14 de Março, do ano seguinte.

    Não sei por onde começar. Ao navegar pelas pastas do meu computador encontrei este documento de texto, do qual já não me recordava há um bom tempo. Senti um ligeiro tremelico quando percebi do que se tratava - todo aquele transtorno pelo qual tinha passado.

    Foi um ano difícil, dos piores da minha vida a nível emocional. Nunca me desorientei tanto antes, estava completamente perdido. Nunca mais regressei às aulas naquele ano e entretanto teria deixado o ginásio. O vício do tabaco agravou-se imenso ao longo do tempo, contudo, consegui deixar recentemente. Os amigos com os quais contei para me ajudarem são exatamente os mesmos hoje, e isso agrada-me. Nem tudo foi mau, apesar de ter sido um ano muito duro, foi o meu primeiro ano com um carro e total independência nesse sentido. Viajei muito, conheci tantos sítios novos, sozinho e acompanhado. Infelizmente, não vou fazer um relatório do meu ano, nem é esse o objetivo.

    Tenho mesmo pena de não poder dar a continuidade que este documento realmente merece. Todos estes textos gigantes apenas para desabafar um sentimento que outrora achava que nunca mais me veria livre. A questão é, se agora estou mesmo bem. De facto e, por muito incrível que pareça, estou. Não da maneira que achava que iria estar, mas estou sem dúvida alguma. Retomei as aulas, desta vez super empenhado, deixei o vício do tabaco e tenho a auto estima no topo, como nunca tive antes. Imaginava-me com alguém e com muitas coisas para fazer no meu dia-a-dia. Estudar tem sido uma das poucas responsabilidades que assumo, até porque deixei o part-time que tinha. Era muita pressão para as condições pessoais que atravessava. Sou agora bastante livre e descontraído. Não pensava antes que seria possível voltar a sentir-me bem sem ter nada para fazer, com medo de pensar em coisas más.

    Percebo hoje que amor é uma arma com dois gatilhos, um deles tem de ser premido com a vontade do coração e o outro com a vontade da cabeça. Só assim se dispara o tiro do cano. Percebo hoje que amar alguém não é tão simples, não é tão objetivo e não se pode medir. Após ter-me tornado num escritor assíduo e ter criado um site para escrever algumas coisas, sei que o bem mais essencial é o amor-próprio. É sentirmo-nos bem connosco. Só depois nos devemos focar nos outros. Tanto para uma namorada como para com amigos, temos de saber gerir as nossas emoções e nunca nos esquecermos de quem somos.

    Eu sou o David, o mesmo de sempre, só que com outras ideias.

Se te voltar a ver, não te relembro com ódio. Se te voltar a ver, respeitar-te-ei. Obrigado por todos os momentos. Estaria confuso em tempos, hoje tenho a certeza de que sou feliz, sem ti.

Um agradecimento especial a todos os meus amigos e à minha família, vocês sabem quem são.

Share
© 2018 David Rodrigues. Todos os direitos reservados.
Desenvolvido por Webnode
Crie o seu site grátis! Este site foi criado com a Webnode. Crie o seu gratuitamente agora! Comece agora