O coração frio é o que mais queima.

"Experiências de um passado no qual já não nos reconhecemos são maioritariamente erros. Erros estes que nunca descobrimos de onde vêm, ou de como os cometemos, mas que arrefecem a nossa euforia de viver e, consequentemente, nos fazem crescer."
Achamos que crescer significa ser mais sério e mais frio na nossa forma de ver o mundo, quando devia ser ao contrário. Um amor que nos destruiu deixa-nos de perna atrás quando achamos que finalmente ultrapassamos (na verdade, isso vai-nos assombrar para o resto da vida) . A partida de alguém que amamos com todas as nossas forças deixa-nos inconscientemente de coração mais afastado de toda a gente. Esperamos que as pessoas olhem para os nossos olhos e vejam através deles a dor que sentimos quando estamos em baixo, e esperamos que compreendam e não nos chateiem tanto, ou que não se preocupem por tanto nos amar. Esquece-mo-nos de dar um abraço a alguém e de sair para desabafar, apenas porque queremos guardar tudo para nós, com a ilusão de que isso nos faz bem. A frieza à qual chamamos "crescer" é a principal fonte de destruição nas nossas vidas, é o principal motivo por deixarmos de falar com pessoas que já nos deram tanto. Crescer não devia significar ser um durão por ter ultrapassado isto e aquilo, nem devia ser uma grandeza que mede a nossa capacidade de nos levantarmos face um problema qualquer. Crescer devia ser a junção disso com a capacidade de continuarmos a viver com amor e coração aberto. Corações frios não acompanham cabeças quentes, porque acabam por explodir. A frieza que nos corre na alma não devia ser um motivo de orgulho, porque apenas nos faz ser mais materialistas e superficiais para quem sempre nos quis bem. Dá um certo jeito no mundo de trabalho, sim, mas o trabalho não é tudo, nem perto. Trocaria um ano de trabalho por uma noite de desabafos com as pessoas que mais adoro. Pensemos assim, o mundo é demasiado colorido para tentar vê-lo apenas a preto e branco.